De repente 30

Já tiveram a oportunidade de assistir a esse filme? Lembro que quando vi eu tinha por volta de 14 anos e na minha visão eu considerava velha uma pessoa de 30 anos. Velha no sentido maduro. Uma pessoa madura, anos luz de crises existenciais, amorosas e financeiras. Como se junto com cada novo ano de vida, viesse um pacote completo condizente com aquela idade. Se aquela pessoa tem 30 anos ela tem todo o pacote de alguém de 30 anos. Na minha imaginação seria alguém que definitivamente já teria filhos [pelo menos dois], marido, já estaria bem resolvido profissionalmente, financeiramente e claro já teria superado todos os medos que assombravam na adolescência. Na verdade, eu mal sabia como seria não estar bem resolvido com as questões da vida. Há quinze anos atrás a vida seria tão simples quanto encontrar o amor da vida na padaria, escolher a carreira de forma tão simples quanto escolher a cor do esmalte da semana, e que deveria haver alguma formula mágica para a questão financeira, afinal quantas adultos eu não testemunhava sendo aparentemente bem-sucedidos com seus dois carros na garagem, um belo apartamento e dois filhos matriculados em boas escolas, correto? Errado. Bom, aqui estou para provar que isso nem sempre acontece de forma tão linear, confortável e tranquila, pelo menos não para todos. Os 30 anos chegam, mas o resto é só o estereótipo que a sociedade impõe. Até agora não entendi que “diabos” [só pode ser] definiu 30 como deadline. Se você traduz ao pé da letra a palavra do inglês para português, deadline significa linha da morte. Não sei o motivo da pressa de chegar nesta linha. Como sempre escutei do meu pai, nossa geração viverá mais tempo comparado às anteriores, porém corre mais contra o tempo do que qualquer uma que já passou por esse mundão. Se conversarmos com alguém da geração dos Baby Boomers, eles provavelmente dirão que não tinham feito metade do que nossa geração já fez com essa idade. Quantidade de viagens, eventos, shows, experiências únicas, meias maratona. Mesmo assim vivemos com o intenso sentimento de que falta tanto para ver, fazer e conhecer. A lista é grande. Uau, somos cheios de energia, garra, queremos muito do mundo para nós. Não sei de qual geração você que me lê agora é, se você não é da geração dos Millenials, deixa eu te contar algo: estamos na corrida maluca. Até os 30 você tem que estar famoso, ter acumulado na conta bancária uma receita líquida (com impostos pagos) de no mínimo R$ 1 milhão, ter saído na capa da Forbes (duas vezes) por ter criado três startups onde cada uma tem potencial de valer U$ 1 bilhão de dólares. Além disso, ter feito duas faculdades, uma pós graduação e MBA fora do país. Aos 29 quando fui me inscrever para o MBA, a média de idade da sala era 26, 27, me senti atrasadíssima. Isso é maravilhoso. Somos mesmo esforçados, buscamos mais, não somos conformados nem acomodados. Mas a pergunta que me vem nesse novo ano é: “Para quê tanto?”, “Por quê tanto?” , ” Tanto, do que?”, “Mais por mais?” e o que de fato o Universo espera de mim? Um dia li uma frase que dizia: ” Te cobram trabalho, casamento e filhos, mas ninguém te pergunta: O que te faz feliz?.” E quando os 30 bateram na minha porta os recebi de braços abertos, apesar desse novo ano de vida não ter vindo com o pacote embrulhado em uma fita de cetim de ouro com um checklist completo mas sim com um pacote com uma corda parecendo uma corda improvisada, repleto de perguntas. O que me faz feliz? Qual o meu propósito aqui? Diplomas por diplomas? Dinheiro só pelo dinheiro? Para quê, meu Deus, tanta correria? Qual o motivo de tanta pressa? Qual o propósito de uma agenda tão LO-TA-DA?. Respira. A idade chegou com essa missão: escutar o coração, breath in and out, compreender, parar, refletir, repensar, sentir, olhar com outro olhar. Responder as perguntas CERTAS. Preencher a agenda com as tarefas que me levam até o meu propósito no meu curto tempo na terra. O coração [o que chamo de caixinha de mensagens de Deus] está incomodado e implorando para estarmos alinhados para o meus próximos passos. Agora em plena quarentena me deu saudades do dia que comemorei os 30 anos que tanto me desesperou. Fiz deste dia algo extremamente grandioso em minha imaginação e vinha pensando em várias formas de comemorá-lo. Quem me conhece sabe, todo ano gosto de fazer grandes festas. Aniversário sempre foi um big deal na minha família e eu adoro isso. Quero manter e passar para os meus filhos essa tradição de celebrar a vida. Porém justamente nos anos dos 30 me sinto passando por uma transformação pessoal, profissional e espiritual.  Escolhi escutar o coração e respeitar este momento. O que mais eu precisava era estar com minha família. O começo de um recomeço. Foi maravilhoso. Cheio de amor. Só o que eu precisava. ______________________________________________________________________________ ♥ Eles foram muito caprichosos. Amo vocês! Beijos TCCP ♥

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