Em uma das minhas sessões de terapia falávamos de sonhos pessoais e profissionais meus e as dificuldades para tirá-los do papel. Relatei quantos sonhos tenho desde nova, mas que até hoje não tinha se quer dado o primeiro passo. Ou dado o primeiro e parado nele mesmo. Nesse momento a terapeuta, que me ouvia atentamente, parou, pensou e disse algo do tipo:
“Se não realizamos os nossos sonhos, construímos ano após ano o nosso Cemitério dos Sonhos…”
…e continuou com suas sábias palavras realizando brilhantemente o seu trabalho, mas minha atenção já havia parado naquela expressão. Daquele momento em diante sua voz passou a ser apenas um pano de fundo para um turbilhão de pensamentos rondando minha mente.
[Cemitério do que? Dos sonhos?]Chegou aos meus ouvidos como um “chacoalhão” para realidade. Fiquei ali. Foi tão forte que não passou despercebido. A sessão acabou, mas aquelas palavras ficaram comigo.
E não é que há uma grande verdade e uma imensidão de questões por trás do que foi dito?
E sabe o que é ainda pior e mais angustiante? Nós os enterramos VIVOS, antes mesmo de darmos a chance de serem vividos. São sonhos que pulsam em nossos corações e, se me permitem vou ainda mais longe, pulsam em nossas almas. Acredito que na maioria das vezes não somos capazes [ainda bem] de matá-los dentro de nós. Nascem conosco e se bem vividos ficarão vivos até mesmo depois de partirmos.
Pode você imaginar a sensação de estar enterrado vivo? Vem agora em mim: desespero, angústia, agonia, falta de ar, vontade de sair dali e viver.
Deus, por favor, me livre.
Perguntamos à pessoas próximas, nossos pais, amigos, colegas de trabalho: “Quais são o seus sonhos, o que você fez com eles?”.
As respostas [reais de pessoas reais] começam sempre cheias de vida e brilho nos olhos.
“Ah o meu sonho era pedir demissão daquela empresa e abrir a minha de decoração de festas.”; “Era ter uma cafeteria onde serviríamos bolos caseiros”; “…fazer faculdade de moda e criar uma marca sustentável de roupas; “…escrever um romance”; “ser terapeuta holística”; “estudar gastronomia e criar um restaurante só com ingredientes orgânicos”; e outros tantos infinitos complementos possíveis que aqui cabem. Complementos esses tão únicos, tão pessoais, tão promissores que poderiam nos dar a chance de viver tantas novas experiências.
Mas em seguida sempre um maldito “porém”.
“…porém não tive tempo. Dinheiro. Coragem. Apoio.”
“…porém não enxerguei o momento certo. Não tive oportunidade. Não me sinto capaz. Não saberia por onde começar”
E tantos outros complementos que aqui também cabem. Complementos estes tão vagos, tão rasos, tão sem vida. Tristes. Paralisadores. Destruidores. Estes que aprisionam sonhos em mentes criativas e corações ansiosos.
Penso comigo, como ajudar a desenterrar estes desesperados batendo na tampa do caixão [credo] pedindo para serem libertos, vividos e vistos?
[a ajuda serve também para quem escreve: eu mesma]Em minha mente vejo uma grande ideia. E se fizéssemos uma encenação de um velório para cada sonho enterrado? [tratamento de choque]
Convido você leitor a viajar comigo [no sentido figurado].
Iriamos até um cemitério de verdade, escreveríamos nosso sonho em um papel, colocaríamos dentro de um caixão e faríamos uma missa onde o dono de cada sonho teria que nos contar cada detalhe e depois os enterraríamos com muitos metros de profundidade abaixo da terra.
Adeus sonho!
Tudo bem. Eu concordo. Fui longe demais. Paremos de delirar.
Mas talvez, ler isso possa ajudar a trazer à consciência quantas possibilidades, contribuições, oportunidades, propósitos morrem ao enterrarmos nossos sonhos e assim nos uniríamos para não deixar que isso acontecesse a ninguém.
O mundo precisa destes sonhos sendo vividos – grito ao universo
Se Deus nos criou propositalmente, cada um com seu dom e sua missão, talvez falte um pouco de fé e coragem para dar a devida atenção à caixinha de mensagens do coração e caminhar firme nesta direção.
[por mais louco e absurdo que isso possa parecer, tá?]Há vontades e desejos realmente momentâneos, mas há outros que nos acompanham desde crianças e nunca deixaram de estar intensamente vivos em nós. Transbordam nossas mentes de inspiração. Tentamos constantemente adormecê-los, mas vira e mexe estes sonhos voltam e ao deitar-se com a cabeça no travesseiro ficamos imaginando, construindo, dando vida e cores. Já temos tudo pronto: o nome, a localização, até as soluções para os possíveis obstáculos.
Porém…
[lá vem ele]…na manhã seguinte ao acordarmos algo triste acontece. O encontro com o nosso “porém”. Parece que alguém do mal nos diz que somos “loucos” demais para pensar que isso daria certo e ouvimos a voz deste ser:
“Pensa o que as pessoas diriam dessa sua ideia maluca? Pare com esses delírios. Sua agenda está lotada, vá cumprir suas obrigações e volte para a realidade. Ah e além do mais, você nem seria bom nisso, tem tantas pessoas melhores. Esquece.”
[Não é assim?]A mensagem desse alguém cruel [infelizmente dentro de nós mesmos] está bem distante daquela caixinha do coração, vem de alguma caixinha perigosa dentro de nossas mentes. E este alguém está longe de ser Deus, alguém que não quer ver prosperidade, felicidade, propósitos sendo cumpridos na terra. Alguém esse, que nem quero saber quem, mas que me esforço e peço a você que se esforce também: MANTENHA DISTÂNCIA deste alguém.
Espero que não os enterremos e nos permitamos vivê-los!
Beijos
TCCP ?


Nao me canso de ler os seus textos! Muito bem escrito e muito gostoso de ler!! Parabens!!
Sensacional. Emocionante e muito verdadeiro! Tenho certeza que alcançará a todos que o lerem, pois é assim mesmo.. vivemos enterrando sonhos e idéias.. que se não cuidarmos vão se transformando em frustrações.. que passamos a carregar. Adorei a mensagem de alerta e o empurrão para que todos procurem agir, realizar, e não mais enterrar seus sonhos!!! Espetacular!! Eu adorei!!!! Parabéns!!!! Escreva mais e mais..Muito orgulho desse seu dom, que Deus lhe deu. Beijos orgulhosos!!!