Em uma família extremamente amorosa, nasci sendo irmã mais nova de um menino, amoroso, cuidadoso e de vez em quando perigoso (risos). Afinal, não seria o irmão mais velho em sua plenitude se não apresentasse as dificuldades da vida àqueles que vieram depois, mas o amor e carinho sempre superaram as batidas nas paredes da sala quando era empurrada de um lado pro outro dentro do andador, sentindo-me quase em um carrinho de bate-bate. Sobrevivi e sai mais forte.
Após três anos vivendo como filha caçula com direito a todos os mimos, pude experimentar e ser definitivamente a irmã mais velha de uma menininha incrivelmente linda e encantadora. Claro, após um surto típico da aquariana, pude ocupar o meu novo lugar: a de filha do meio. Diz a lenda que a filha do meio é sempre mais doidinha. Por experiência própria, eu diria que tem lá suas verdades.
Apesar de ter boas memórias e saudades dos anos da infância vividos naquela casa arejada típica do interior, com espaço no jardim para casa de bonecas, uma bela piscina e três cachorros, o coração e o ritmo de vida sempre pertenceram à cidade grande. Entre Direito e Psicologia, optei pelo segundo e fui fazer gestão de empresas. Sabe lá Deus porque a vida faz isso com a gente. Pós graduei em Administração de Negócios e reestruturei um micro empreendimento da família no setor de saúde e bem-estar. O amor aos números apareceu, porém, mais que amor aos números, amor à história por trás de cada um e a ânsia de, através deles, escrever novas páginas que pudessem contar um final mais feliz. A obsessão pelo detalhe foi ponto decisivo.
Ao mesmo tempo, construía meu blog, um desejo desde muito nova. O desejo de escrever, contar meu ponto de vista sobre as situações mais banais que dizem tanto sobre a vida e compartilhar conhecimentos e informações úteis e algumas inúteis úteis.
Dividida, um lado o conforto dos números que trazem em si organização, uma lógica, a estabilidade, a serenidade, uma resposta certa e rápida e exige de nós concentração, disciplina e controle. O prazer que os números permitem sentir de paz e certezas. Do outro lado, textos que surgem prontos na cabeça e momentos de leituras diárias sobre diversos temas, sendo histórias reais o preferido. Histórias de vida, histórias de países, histórias de todos os tipos.
O que fazer com dois desejos que parecem tão opostos? Ser escritora ou ser analista financeira? Escrever sobre finanças? Este é o atual dilema. E a bússola é o encontro com o meu propósito, independente do que vier pela frente.
O esporte sempre fez parte da rotina. Primeiro pensei que era o ballet. Fiz por alguns anos. Hoje tenho o certificado do exame internacional The Royal Ballet apesar de não ter conseguido a nota máxima. Reconheci que, a herança genética materna do perfil físico de baixa estatura e pernas mais grossas, se diferenciava do padrão da maioria das bailarinas. Cansei de tanta rigidez e me permiti experimentar os movimentos mais soltos da corrida de rua. Senti como se já praticasse esse esporte por anos e decidi levar comigo. E levo até hoje. Completei duas Meias Maratonas abaixo do tempo estipulado e completei os 5km abaixo dos 25 minutos.
Metas e lesões alcançadas abriram espaço para o Yoga entrar nos meus dias. Encostar a cabeça no joelho nunca foi um problema, junto com as forças nas pernas e a consciência corporal encontrei um novo “levo comigo”.
