
Histórias reais são uma dádiva quando compartilhadas. Uma fonte de aprendizado inigualável. Iniciei a leitura de um livro chamado “Em busca de sentido” do autor Vitor Frankl, um austríaco neurologista. O livro é incrível. Conta a história dos anos que ele viveu o Holocausto como prisioneiro dentro campo de concentração. Até hoje não entendo como foi possível sobreviver a essa barbárie. As condições em que Frankl descreve não é cabível a um ser humano e nem mesmo a um animal. É esse o tema central em que o escritor se apega, a experiência o deixou curioso pelo fato de alguns terem sido capazes de sobreviver mesmo às vezes estando em condições de saúde tão alarmante ou até piores do que os que faleceram. Bastante interessante a conclusão.
Porém, existe uma outra parte do livro que me tocou. Ao longo de todas as páginas é possível trazer uma comparação do que ele vive com o nosso momento atual de país, de mundo, e das nossas próprias experiências individuais.
Uma delas é a dessensibilização com a prática do mal. No início, ele menciona o quão desesperador é observar o outro sendo torturado, apanhando até encontrar a morte. Algo que qualquer ser humano [minimamente normal] acharia quase insuportável presenciar sem que isto gerasse emoções angustiantes dentro do coração, certo? Errado. O austríaco diz que depois de um tempo assistindo a essas cenas, isso não o impactava mais de nenhuma forma. Nem ruim, nem boa. Não há mais nenhum sentimento respondendo ao observar inúmeras cenas de maus‐ tratos aos seus colegas. A gente se acostuma e definitivamente não devia.
Todos os dias testemunhamos, não somente na televisão, mas presenciamente, pessoas vivendo em situações desumanas. Ouvimos crianças perdendo a vida por balas perdidas, pessoas passando fome do nosso lado, passamos ao lado de famílias morando em seus “barracos” sem um mínimo de condição básica de higiene. Assistimos a outros perdendo suas casas e os poucos móveis, que lhe traziam um mínimo de decência para viver, sendo levados pelas enchentes ano após ano. Pessoas morrendo [literalmete] de frio nas ruas.
Encontro aqui algo similar ao que foi escrito pelo neurologista. Um olhar dessensibilizado. Eu nem os vejo mais. Há alguns minutos abri a cortina da janela do escritório e me deparei com uma família sentada em uma caixa de papelão amassada, na saída de um supermercado. Crianças estavam ali. Crianças inquietas tentando achar qualquer forma de distração até que seus pais ordenem que peçam uma esmola a alguém próximo dali. Se eu não estivesse atenta ao tema, eu nada sentiria e por isso também nada faria.
Passamos por cenas como essas diariamente, na grande maioria das vezes, sem sentir. Preocupados com o jantar, a reunião do dia seguinte, a viagem que faremos. A gente se acostuma, mas não devia.
Talvez eu tenha trazido uma comparação clichê. Mas precisamos falar sobre o assunto porque o perigo não está no mal, está naquele que cala perante a prática do mal.

Texto incrível! Temos que prestar mais atenção ao nosso redor para podermos estender a mão para quem está do nosso lado precisando de ajuda!
Minha filha você é uma escritora por DOM!!! Parabénsssss, suas palavras fazem a gente pensar e repensar em tudo que estamos vivendo, essa comparação é muito cabível e verdadeira!!! Não devíamos está acostumado a tanto desamor! Ótimo texto!!! Parabénsssss!!! Te amo muitoooo ❤️❤️❤️
Simplesmente sensacional… verdadeiro.. realista… e muito emocionante!!! Parabéns Thaís!!!! Mais um texto incrível!!!!
Otimo texto!!
Thaís, parabéns! Excelente seu texto!! É isso mesmo, damos muita importância a coisas banais …. Precisamos fazer o bem todos os dias , não sabemos onde estaremos no amanhã! Dar carinho , amor, atenção aos necessitados! Adorei ! Belo dom que Deus te deu …. Continue escrevendo! Beijão!❤️